sábado, 12 de maio de 2012

BEM VINDA CEGONHA

A proximidade do dia das mães por um instante me deixou reflexiva.
Acho que porque boa parte da minha geração já é mãe ou caminha pra isso.
Na verdade, minha irmã está prestes a se tornar mãe.
É um pouco estranho pensar nisso...
Aquela menina que cresceu comigo agora vai parir um bebê!
Como será ele? Sua carinha, seu jeito, suas manias?
Será tímido ou engraçado? Vai gostar de música, de esportes?
Sinto uma felicidade grande por pensar que ele vai ter uma infância inteira pela frente...
Que delícia a infância...!
Suas brincadeiras, suas fantasias...
Uma das maiores benções da infância é que a criança é capaz de compreender o meio e as situações que a cercam sem muitas dúvidas. Do seu jeito infantil.
Essas dúvidas muitas vezes só viram dúvidas na vida adulta e se somam com outras milhões de dúvidas e prioridades, rotinas e certezas... Tudo junto turbilhonado gerando a neurose, a doença, a loucura.
Por isso às vezes, ufa, prefiro ser Alice...

“Boa parte da graça da infância provém do jeito canhoto e literal através do qual as crianças compreendem o que se diz e o que se faz. “Somos todos loucos aqui”, dizia o Gato de Cheshire e nenhuma criança discordaria disso. As cenas sociais podem parecer bem estranhas, indecifráveis aos recém chegados. Focada com a lente infantil, a vida dos adultos parece como a do Coelho Branco, que corre atrás de objetivos insignificantes, a mando de uma rainha enlouquecida, como o Chapeleiro Maluco, que vivia condenado a um eterno chá da tarde, ou como as Rainhas esbaforidas que percorriam seu mundo de tabuleiro com a mesma pressa fútil do Coelho. São as determinações inconscientes que regram a lógica dos sonhos, as mesmas que influenciam decisivamente nossas escolhas, medos, preconceitos, inibições, compulsões e desejos.”

Declaro agora aberta a temporada de resgate da infância na vida adulta. Com sua simplicidade, sua lógica, sua sinceridade.
Quero me apaixonar de novo pelo Peter Pan, jogar bola na rua, chupar sacolé, dançar na chuva, transformar o sofá em nave espacial, ficar toda enrugada por não querer sair da piscina (afinal, é lá que estão os botos, as sereias, os tubarões!).
Venham me visitar! Estarei sentada no tapete ao lado do meu sobrinho, conversando com ele de igual pra igual, viajando nos seus mundos, morrendo de medo dos monstros do armário.
A corrupção, a osteoporose, o imposto de renda – tudo isso pode esperar. Deixa que nossas mães resolvem.

“As melhores e mais duradouras histórias são as que nos permitem sonhar acordados, junto com outras pessoas, assim como nos possibilitam resgatar a lógica da infância e dos sonhos. Graças a elas podemos percorrer lugares maravilhosos, sejam eles lindos ou assustadores, sem medo de enlouquecer de verdade ou de perder as rédeas da nossa vida.”

(Citações de Diana e Mário Corso - http://wp.clicrbs.com.br/terradonunca/2010/03/13/o-que-nos-maravilha-em-alice/)

Nenhum comentário:

Postar um comentário