Quase tenho vergonha de confessar que passados mais de 30 anos vivendo no Rio de Janeiro, nunca havia visitado o Museu de Arte Moderna (MAM)...
Corrigida essa lástima, confesso novamente que como marinheira de primeira viagem a "sorte no jogo" me sorriu. Fui agraciada com uma exposição marcante e definitiva.
Emoção crua.
Sempre fui afeiçoada a imagens, fotografias, em preto e branco, em especial.
Inesperadamente, essa exposição me despertou o encantamento pelos objetos e pela cor.
Delicada, sutil, me transportou novamente pra infância e fez lembrar a fragilidade de existir...
O texto a seguir, extraído do site http://www.mamrio.org.br/, resume melhor do que qualquer tentaiva minha o que esse trabalho representa.
"As 15 esculturas que compõem a instalação que será apresentada no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro são agrupamentos de partes de peças de mobiliário, como mesas, cadeiras, gavetas e pequenos armários, e utensílios de vidro, como garrafas, pratos, copos e taças; além de restos de azulejos. Equilibradas verticalmente, essas esculturas são totens, simulando e recriando corpos instáveis que nos aproximam de algo que pode desmoronar a qualquer momento. Segundo a artista, “circular entre eles exige cautela e delicadeza”. A precariedade do equilíbrio tenciona o espectador e o mantém alerta diante de uma situação de perigo iminente. A ondulação e elevação das peças se sustentam sem nenhuma garantia. Elas se equilibram no limite da estabilidade necessária. Há nessas peças uma passagem entre a intimidade trazida por esses móveis – que se referem a uma história particular – e a transformação deles em volumes desequilibrados capazes de evocar a imprevisibilidade dos acontecimentos.
Os vidros azuis estão dispostos entre os móveis como dobradiças, encaixes ou suportes que, ambiguamente, sustentam o equilíbrio e fragilizam ainda mais a estrutura da montagem. O azul da água, elemento e cor freqüente em trabalhos anteriores da artista, aparece agora como uma fluidez encapsulada. A materialidade do vidro suporta o peso dos móveis e se interpõe entre eles quando falta algum apoio, mas também, por ser vidro, pode se quebrar a qualquer momento. Essa materialidade azul potencializa a fragilidade e a instabilidade das peças."
No demais, só conferindo pessoalmente... (até final de fevereiro!)
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