Peço desculpas...
Abandonei tudo sem dar satisfações, sem ao menos um porque ou adeus.
Sabia que voltaria.
Me deparei com um momento de entressafra, seco, em que a solidão é tão profunda, que o mero contato com as palavras é perturbador.
O silêncio... Um bâlsamo, sono profundo sem sonhos.
Pouco a pouco, sinto as palavras despertarem... ainda embriagadas, inchadas, despenteadas. Um café, depois a fome, o desconcerto do sol.
Refeitas, agora procuram um novo rumo. Um novo capítulo de um livro de infinitas páginas.
Dotadas de vida própria, as letrinhas enfileiradas escorregam, correm pra lá e pra cá e, de maozinhas dadas, imprimem o título do capítulo rebento:
"2012, me surpreenda!"

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