Hoje sonhei que havia perdido minha identidade.
Um quase estranho se encarregou de me devolvê-la, como se tivesse sido guardada de propósito.
Surpresa minha ao me deparar com ela: um documento verde com uma foto no meio, apenas isso a princípio...
Será? Examino com mais atenção. Nele está impresso o nome dos meus pais, a cidade e o ano que nasci. Ótimo, isso já diz bastante de mim. Segunda via, sempre fui boa em perder as coisas... A cara está lavada, o polegar esparramado, a blusa branca não contrasta com o fundo branco, os olhos olham fixamente para o nada. Credo!
Essa sou eu mesma?
Como aquelas pessoas que procuram desvendar as outras pela letra e pela forma que escrevem começo a tentar me desvendar através da minha identidade.
Estou pasma. O que sei sobre mim? O que de mim é real e não reflexo dos outros? Se uma bomba atômica caísse agora e explodisse todos a minha volta, o que eu faria? Onde iria jantar? Que vinho tomaria? Iria pra casa direto ou daria um passeio pela noite?
Me confundo ao pensar em mim.
Talvez toda essa reflexão e o sonho derivem do filme que vi recentemente; "O palhaço", que fala justamente sobre a procura da identidade. Benjamin, personagem do Selton Melo, se convence que somos o que sabemos fazer de melhor. Que depressão. Não sei o que sei fazer de melhor e, na verdade, penso que não sou muito boa em nada que faço. Talvez eu seja isso, uma confusão de uma porção de coisas medianamente feitas, nenhuma das quais merecendo 100% da minha dedicação.
Palhaço... Taí uma coisa que não tenho vocação nenhuma. Não sei contar piada, detesto falar em público e não curto usar fantasias ridículas. Não oculto a tristeza, nem a melancolia. Nada contra os palhaços, percebam! Um verdadeiro palhaço tem seu louvor, assim como a verdadeira bailarina, o verdadeiro músico, o verdadeiro poeta...
E eu? Que verdadeiro sou?

Carolzinha, você é a verdadeira amiga. E é boa em tudo o que faz, por isso tão difícil achar essa identidade única. Beijos.
ResponderExcluirChorei...
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