"- Isso já está indo longe demais" - Disse ele levantando-se da sala
A mesma sala que preenchida pelo vento ocultava as frestas, detalhes e irregularidades
" Será que era poesia?" - Pensou ela sem ter chances de falar
" Não, não era" - Concluiu vendo a porta bater
Sem ter pra onde fugir, ficou ali mesmo, sentada na sala "enventada" pensando qual seria a lógica pra tamanha correnteza de sentimentos
De fato, ela nunca havia sido muito boa em matemática mesmo... E lógica não era seu forte, definitivamente.
Bastaram algumas semanas pra que se passassem séculos de encontros e desencontros
Ela trazia o frescor de uma flor de lavanda, andava balançando a saia, como quem anda na lua num dia de sol
Lábios vermelhos, unhas pintadas de rosa...
Já ele guardava em seus livros os segredos preciosos das palavras. Viajava entre épocas, lugares e canções. Podia ser ao mesmo tempo pirata, herói, Buda, inventor e cavaleiro do Rei
E o que mais desejaria a rosa que a poesia?
Seduzida pelo charme encantado das palavras, a margarida abriu-se e ficou ainda mais linda e perfumada!
A poesia, tropeçando nas próprias letrinhas, engasgou-se com as sílabas e romântico preferiu a solidão
"Acaso não sabes que não podes florescer no inverno, flor?
Já era tarde, a brisa que trazia e levava a poesia visitava a violeta no seu jardim, tornando mais suave o solo sem o qual sabia morrer
Mais inspirado, o livro tatuava nas suas páginas mais profundas a imagem sensível da flor
A primavera chegava... E apesar da sala, do vento e da matemática continuarem frios, a flor agora sorria, tímida, encantada com a graça da sua própria poesia.

Nenhum comentário:
Postar um comentário