domingo, 23 de outubro de 2011

A FLOR E A POESIA

"- Isso já está indo longe demais" - Disse ele levantando-se da sala

A mesma sala que preenchida pelo vento ocultava as frestas, detalhes e irregularidades

" Será que era poesia?" - Pensou ela sem ter chances de falar

" Não, não era" - Concluiu vendo a porta bater

Sem ter pra onde fugir, ficou ali mesmo, sentada na sala "enventada" pensando qual seria a lógica pra tamanha correnteza de sentimentos

De fato, ela nunca havia sido muito boa em matemática mesmo... E lógica não era seu forte, definitivamente.

Bastaram algumas semanas pra que se passassem séculos de encontros e desencontros

Ela trazia o frescor de uma flor de lavanda, andava balançando a saia, como quem anda na lua num dia de sol

Lábios vermelhos, unhas pintadas de rosa...

Já ele guardava em seus livros os segredos preciosos das palavras. Viajava entre épocas, lugares e canções. Podia ser ao mesmo tempo pirata,  herói, Buda, inventor e cavaleiro do Rei

E o que mais desejaria a rosa que a poesia?

Seduzida pelo charme encantado das palavras, a margarida abriu-se e ficou ainda mais linda e perfumada!

A poesia, tropeçando nas próprias letrinhas, engasgou-se com as sílabas e  romântico preferiu a solidão

"Acaso não sabes que não podes florescer no inverno, flor?

Já era tarde, a brisa que trazia e levava a poesia visitava a violeta no seu jardim, tornando mais suave o solo sem o qual sabia morrer

Mais inspirado, o livro tatuava nas suas páginas mais profundas a imagem sensível da flor

A primavera chegava... E apesar da sala, do vento e da matemática continuarem frios, a flor agora sorria, tímida, encantada com a graça da sua própria poesia.


Nenhum comentário:

Postar um comentário