O carnaval me cansa.
Não que eu seja uma foliã engajada, pelo contrário.
Acho que é esse excesso de alegria.
Alegria demais, exagerada.
Gente demais, ruas cheias demais, bêbados demais, banheiro de menos, transporte de menos.
Não há nada mais irritante que querer voltar pra casa e não conseguir...
Desculpem o mau humor, ainda estou sob o impacto dos pés doídos de tanto andar.
Gosto da bagunça, dos sorrisos, da criatividade das fantasias, da batucada.
Mas o que me traz felicidade (vejam bem, felicidade, não alegria) são as horas livres, a praia, o contato com os amigos, o sol, a feijoada, a cerveja gelada...
É perceber no meio do caos a imponente presença dos dois irmãos observando tudo, acompanhar o céu ser tingido de rosa e ver as gaivotas voltando pra casa em forma de “v”.
E pensar que meus últimos carnavais foram num mar do Caribe e depois nas geleiras e montanhas da Patagônia...
Estar de volta é conflitante.
Porém, considero a experiência de vivenciar o carnaval na minha cidade natal querida um capítulo indispensável da minha história.
Experimentar suas particularidades e generalidades.
Experimentar suas particularidades e generalidades.
Acho o acaso do carnaval interessante.
Encontrar “por acaso” a amiga querida que há tempos precisava encontrar, encontrar “por acaso” aquele que estava morrendo de vontade de encontrar e perceber que não estava com tanta vontade assim, encontrar “por acaso” o desconhecido de olhos verdes, não levá-lo a sério e pensar que poderia ser diferente se não fosse carnaval...
Encontros e desencontros.
O carnaval pede leveza, pede desapego e tolerância. Senão cansa...
Por isso vou me recolher agora, amanhã a festa continua...


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