Sentou-se no divã.
"Então, sobre o que falaremos hoje?"
Por um momento permaneceu calada.
Havia decorado um discurso pronto sobre o turbilhão de acontecimentos, diálogos, pessoas e lugares que haviam movimentado sua vida naquela semana...
No entanto, sentada naquele divã, ela só teve vontade de pronuncionar o seu próprio nome.
Não cabia mais ninguém ali. Sua presença já era suficiente para ocupar todos os espaços e brechas.
(Ainda não compreendo o poder quase hipnótico que um divã pode exercer sobre um indivíduo que resolve se analisar... Um objeto estático, inflexível, semelhante a um sofá. Enfim...)
Aconchegada entre almofadas, começou a se despir. O tempo passava e as palavras se emendavam quase sem vírgulas.
Quando não restava mais quase nada de si que pudesse compreender e capturar, pensou em sorrir.
No final, o alívio. A sensação de ser possível ser individual, destacado. E a dor do contato com o próprio interior. O subterrâneo da existência.
Levantou-se do divã.
De volta pra casa... De volta pra mais uma noite de sonhos e significados... A noite que seria seguida de mais um dia de busca e depois mais uma noite, mais um dia, uma noite, um dia...

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