sábado, 3 de dezembro de 2011

EU TE AMO?



Em que momento se começa a amar uma pessoa? Será que o "eu te amo" pronunciado com paixão é real ou apenas parte de um contexto?

Recentemente, li um texto de um filósofo que sugeria que um indivíduo apaixonado é capaz de se vestir de inúmeras formas pra agradar e conquistar o ser amado.  Dessa forma, o "eu te amo" por parte do ser "conquistado" não seria mais do que uma forma de dizer "eu me amo e te aceito" o que decretaria um peso pra quem se mascara tentando seduzir.

Posso estar sendo drástica demais; mas, atualmente, descobri que tenho receio de paixões avassaladoras.

Dois sujeitos tão apaixonados que não conseguem se enxergar além da dupla.

Seria soma ou anulação?

Aquele sentimento que consome, invade todas as células e gera a  perda da identidade, da solidão...  O início da repetição de expressões, gestos, preferências. A negação do fato que somos seres solitários e que a solidão sempre será nosso encargo e que nenhuma outra pessoa no mundo é capacitada pra carregar o peso da nossa existência.

Talvez existam pessoas que dêem de ombros pra própria identidade e gastem anos, ou quem sabe a vida inteira, buscando no outro sentido pra seguir vivendo. Isso me faz pensar o quanto pode ser comum a ausência de conexão com o próprio interior, me dá a sensação de ver uma infinitude de pessoas vivendo flutuando numa grande lagoa rasa...

O fato é que a impressão que tenho é que todas as vezes que me apaixonei loucamente o sentimento passou e com o tempo foi ficando evidente o buraco causado pela falta do "eu".

Que raios sou eu e não o outro? O quanto é inventado, fantasiado, purpurinado?

Pessoas são reais, sentimentos... nem sempre.

Talvez eu sinta agora uma invejinha daquela tartaruguinha lenta que aposta corrida com a lebre (que se julga muito esperta) e se dá bem no final. 

Talvez não queira mais fogos de artifício, mas o compor do quebra cabeça. O prazer lento de encaixar as pecinhas, errar, procurar um novo encaixe, descobrir as figuras, estruturar e apreciar o processo de construção...

Me soa tão honesto isso. Tão mais visível.

Quem sabe, então, o "eu te amo" construído - não simulado-, não poderia ser, sinceramente, pronunciado?

Quando dois continuam, na verdade, sendo dois. E em tendo domínio de sua identidade podem reconhecer o outro despido de máscaras e sem espelhos. Livres.

2 comentários:

  1. Adorei. Beijos, Ju Morená

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  2. Ju, que bom te ver por aqui...! Acreditando no acaso ou não, o fato é que estava pensando em vc hoje... Juro! Conexões...! Bjs e volte mais vezes!

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