quinta-feira, 24 de novembro de 2011

PONTO FINAL


"Quando morremos deixamos muitas  coisas incabadas...

Coisas que só nós poderíamos resolver..." 
 

Foi nessa parte do filme "Volver", película interessantíssima de Almodóvar, que tive que apertar o stop e partir pra mais uma noite de plantão...

Porém, a imagem me acompanhou. A mãe, já morta, volta ao mundo e passa a conviver com a filha como uma pessoa normal e não como um espírito...

Que fantástico isso. Não sei se estou surtando de vez, mas passei a pensar que, se existir mesmo vida após a morte, deve ser muito angustiante pro recém morrido olhar pra trás e abandonar tudo que permaneceu inacabado.

O último pedaço da torta que ficou na geladeira, a roupa nova que seria estreada na festa de sábado, a ligação ainda não retornada, a viagem tão planejada...

(Nossa! Que extremo desapego se faz necessário...)

Confesso que nessa fase intensiva da minha existência tenho andado mais temerosa quanto a minha sobrevivência.  Tomo mais cuidado ao atravessar as ruas, dirijo com mais cautela, não me debruço em janelas... 

Sei lá, não quero correr o risco de não viver as coisas que estou vivendo e que estou planejando viver. 

(Que ridícula! Como se eu tivesse controle sobre a morte...)

O fato é que sempre pensei na morte como um ponto final (.) O fim, quando tudo já teria sido vivido e resolvido. 

Graças ao Almodóvar, agora percebo que a morte, tal qual a vida, é coberta reticências (...) e surpresas (!) 

E sempre, sempre será coberta de interrogações (?)

Ponto final.

2 comentários:

  1. http://www.gusmorais.com/0-hola/gusmorais_holadepartir.jpg

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  2. Aqui na Terra do Nunca aprendemos a viver metade criança, metade adulto. A velhice é assunto misterioso e entocado, situação que não conseguimos admitir como parte de nossa existência... Solidão, silêncio, morte... O amor que não veio pronto, mas se construiu ao longo de uma vida... Mais uma vez me sinto tocada pela sutileza ao retratar a morte. E eu, que fui criança junto com eles, me vejo agora bem velhinha dormindo agarrada com meu bichinho de pelúcia predileto... Aquele que ainda guardo como a melhor lembrança material de um tempo em que a Mônica era só a menina dentuça de vestido vermelho que corria atrás do Cebolinha...

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