Foi nessa parte do filme "Volver", película interessantíssima de Almodóvar, que tive que apertar o stop e partir pra mais uma noite de plantão...
Porém, a imagem me acompanhou. A mãe, já morta, volta ao mundo e passa a conviver com a filha como uma pessoa normal e não como um espírito...
Que fantástico isso. Não sei se estou surtando de vez, mas passei a pensar que, se existir mesmo vida após a morte, deve ser muito angustiante pro recém morrido olhar pra trás e abandonar tudo que permaneceu inacabado.
O último pedaço da torta que ficou na geladeira, a roupa nova que seria estreada na festa de sábado, a ligação ainda não retornada, a viagem tão planejada...
(Nossa! Que extremo desapego se faz necessário...)
Confesso que nessa fase intensiva da minha existência tenho andado mais temerosa quanto a minha sobrevivência. Tomo mais cuidado ao atravessar as ruas, dirijo com mais cautela, não me debruço em janelas...
Sei lá, não quero correr o risco de não viver as coisas que estou vivendo e que estou planejando viver.
(Que ridícula! Como se eu tivesse controle sobre a morte...)
O fato é que sempre pensei na morte como um ponto final (.) O fim, quando tudo já teria sido vivido e resolvido.
Graças ao Almodóvar, agora percebo que a morte, tal qual a vida, é coberta reticências (...) e surpresas (!)
E sempre, sempre será coberta de interrogações (?)

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ResponderExcluirAqui na Terra do Nunca aprendemos a viver metade criança, metade adulto. A velhice é assunto misterioso e entocado, situação que não conseguimos admitir como parte de nossa existência... Solidão, silêncio, morte... O amor que não veio pronto, mas se construiu ao longo de uma vida... Mais uma vez me sinto tocada pela sutileza ao retratar a morte. E eu, que fui criança junto com eles, me vejo agora bem velhinha dormindo agarrada com meu bichinho de pelúcia predileto... Aquele que ainda guardo como a melhor lembrança material de um tempo em que a Mônica era só a menina dentuça de vestido vermelho que corria atrás do Cebolinha...
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